Tutorial Port Forwarding no Packet Tracer

No mundo real, as empresas e residências utilizam apenas um endereço IP público (fornecido pelo provedor de internet) para duas finalidades essenciais:

  1. Permitir que múltiplos computadores internos acessem sites externos na internet (NAT Overload/PAT).
  2. Permitir que clientes externos acessem servidores de aplicação específicos dentro da rede local (Port Forwarding).

Se você quer aprender como esses dois conceitos coexistem e funcionam de forma independente no mesmo equipamento, este guia prático é para você. Vamos configurar um cenário híbrido do zero no Cisco Packet Tracer utilizando o roteador corporativo ISR 2911.

O Cenário do Laboratório

Para este laboratório definitivo, integraremos múltiplos componentes em uma única topologia de rede:

Rede Interna (LAN): Sub-rede privada 192.168.0.0/24

  • PC-A (Cliente Interno): IP 192.168.0.2 | Gateway: 192.168.0.1
  • PC-B (Cliente Interno): IP 192.168.0.3 | Gateway: 192.168.0.1
  • Servidor Web (HTTP): IP 192.168.0.10 (Porta real: 80) | Gateway: 192.168.0.1

Roteador (Borda/NAT): Cisco ISR 2911

  • Interface LAN (Inside): GigabitEthernet0/0 – IP $192.168.0.1
  • Interface WAN (Outside): GigabitEthernet0/1 – IP 10.0.0.1

Rede Externa (WAN/Internet Simulada): Sub-rede pública 10.0.0.0/8

  • PC Externo (Internet): IP 10.0.0.10 | Gateway: 10.0.0.1

Atenção ao Modelo do Roteador (Muito Importante!): Utilize especificamente o roteador Cisco ISR 2911 no Packet Tracer. Modelos antigos como o 1841 utilizam portas FastEthernet0/0, enquanto modelos mais novos como o 4331 utilizam três dígitos (GigabitEthernet0/0/0). O modelo 2911 garante que você possa copiar e colar nossos comandos de interface (GigabitEthernet0/0 e GigabitEthernet0/1) diretamente no console sem erros de sintaxe.

Nossos Objetivos Práticos:

  1. Fazer com que o PC-A e o PC-B consigam navegar e pingar o PC Externo usando o NAT Overload (PAT).
  2. Fazer com que o PC Externo consiga abrir a página do Servidor Web Interno digitando http://10.0.0.1:8080 (usando o Port Forwarding).

Passo 1: Configuração Básica de IP nos Dispositivos

Abra a configuração de IP de cada host no simulador e aplique os seguintes parâmetros:

1. PCs Internos (PC-A e PC-B)

  • PC-A: IP 192.168.0.2 | Máscara: 255.255.255.0 | Gateway: 192.168.0.1
  • PC-B: IP 192.168.0.3 | Máscara: 255.255.255.0 | Gateway: 192.168.0.1

2. Servidor Web Interno

  • Servidor: IP $192.168.0.10$ | Máscara: 255.255.255.0 | Gateway: 192.168.0.1
  • (Certifique-se de que o serviço HTTP está ligado em “Services” > “HTTP” > “On” )

3. PC Externo

  • PC Externo: IP 10.0.0.10 | Máscara: 255.0.0.0 | Gateway: 10.0.0.1

Nota de Expert: O Default Gateway apontado para as respectivas interfaces do roteador é obrigatório em todos os dispositivos ( Excluindo o PC Externo porque esse PC somente vai enxergar a interface externa do roteador).

Passo 2: Configurando as Interfaces e o Domínio do NAT no Roteador

Acesse o terminal do Roteador para definir os domínios de NAT (Inside e Outside):

Vamos habilitar o terminal de configuração.

Router> enable
Router# configure terminal

Em seguida vamos configurar a Interface voltada para a LAN (Inside).

Router (config)# interface GigabitEthernet0/0
Router (config-if)# ip address 192.168.0.1 255.255.255.0
Router (config-if)# ip nat inside
Router (config-if)# no shutdown
Router (config-if)# exit

Depois, vamos configurar a Interface voltada para a WAN/Internet (Outside)

Router (config)# interface GigabitEthernet0/1
Router (config-if)# ip address 10.0.0.1 255.0.0.0
Router (config-if)# ip nat outside
Router (config-if)# no shutdown
Router (config-if)# exit

Passo 3: Configurando o NAT Overload (PAT) para Navegação Interna

Para permitir que o PC-A e o PC-B naveguem na rede externa compartilhando o IP público da interface GigabitEthernet0/1, precisamos de duas coisas:

Uma Lista de Controle de Acesso (ACL) para selecionar quem pertence à nossa rede privada. Para isso, criamos abaixo a ACL permitindo apenas nossa sub-rede privada

router (config)# access-list 1 permit 192.168.0.0 0.0.0.255

A ativação do mapeamento de tradução com a palavra-chave overload. Para isso, ativamos o NAT dinâmico associado à interface de saída (PAT)

router (config)# ip nat inside source list 1 interface GigabitEthernet0/1 overload

Passo 4: Configurando o Port Forwarding para o Servidor Web

Com os computadores internos já conseguindo sair da rede, vamos configurar a entrada. Queremos que qualquer requisição vinda da internet na porta pública 8080 seja redirecionada para a porta 80 do nosso servidor web local.

Como essa regra mapeia de forma exata uma única porta, não precisamos de ACL. Digite o comando abaixo:

router (config)# ip nat inside source static tcp 192.168.0.10 80 10.0.0.1 8080

Passo 5: Testando a Solução Completa

Agora vamos realizar os dois testes que provam que as configurações estão coexistindo sem conflitos.

Teste 1: Testando a Saída (NAT Overload)

  1. Abra o prompt de comando (Command Prompt) no PC-A (192.168.0.2).
  2. Digite o comando ping 10.0.0.10 e pressione Enter (esse é o IP do PC externo).
  3. Repita o mesmo teste a partir do PC-B.
  4. Ambas as conexões devem responder com sucesso.

Teste 2: Testando a Entrada (Port Forwarding)

  1. Abra o navegador web (Web Browser) no PC Externo (10.0.0.10).
  2. No campo de endereço (URL), digite http://10.0.0.1:8080 e clique em Go.
  3. O navegador deverá renderizar o site hospedado no seu servidor interno perfeitamente!

Verificando as Traduções Ativas na CLI

Para conferir como as traduções se comportam, digite no modo privilegiado do roteador:

router# show ip nat translations

O resultado mostrará a entrada estática do Port Forwarding e as traduções dinâmicas de porta do Overload criadas temporariamente pelos pings dos PCs internos:

Script CLI Completo de Configuração

Copie o script abaixo e utilize o botão Paste do Packet Tracer na CLI do seu Roteador 2911 para configurar o cenário rapidamente:

enable
configure terminal
interface GigabitEthernet0/0
 ip address 192.168.0.1 255.255.255.0
 ip nat inside
 no shutdown
exit
interface GigabitEthernet0/1
 ip address 10.0.0.1 255.0.0.0
 ip nat outside
 no shutdown
exit
access-list 1 permit 192.168.0.0 0.0.0.255
ip nat inside source list 1 interface GigabitEthernet0/1 overload
ip nat inside source static tcp 192.168.0.10 80 10.0.0.1 8080
end
write memory

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Por que precisamos de uma ACL para o NAT Overload, mas não para o Port Forwarding?

O NAT Overload precisa traduzir múltiplos computadores dinamicamente. Ele usa a ACL como uma “lista de permissão” para saber qual faixa de IPs privados tem o direito de navegar. O Port Forwarding é um mapeamento estático individual feito para uma única porta em um único IP, o que significa que o roteador já sabe exatamente o que fazer com o pacote sem precisar de uma lista de seleção.

2. Por que o PC-A consegue pingar o PC Externo sem que sua porta de saída seja mapeada antes?

Porque o roteador cria uma tabela de tradução dinâmica temporária de forma automática assim que o PC-A inicia a conexão de dentro para fora. O roteador registra que a resposta do pacote que vai voltar deve ser enviada para o IP privado do PC-A.

3. Posso usar as regras híbridas no mesmo IP público?

Sim, esse é o comportamento padrão de um roteador residencial (como o que você tem em casa). Ele cria dezenas de sessões dinâmicas de saída para celulares e computadores navegarem enquanto redireciona portas de entrada estáticas para câmeras IP ou consoles de videogame sem qualquer conflito.

Gostou deste laboratório integrado? Deixe nos comentários se o seu servidor respondeu perfeitamente ao teste externo!

Lab 1: Instalar Packet Tracer em Linux

Lab 2: Crie sua Primeira Rede no Packet Tracer: Guia Passo a Passo para Iniciantes (2 Computadores)

Lab 3: Como Criar uma Rede com Switch no Packet Tracer: Passo a Passo para Iniciantes

Lab 4: Packet tracer rede com 1 roteador

Lab 5: Como Configurar DHCP no Cisco Packet Tracer: Guia Prático

Lab 6: Como Configurar NAT no Packet Tracer (Passo a Passo)

Lab 7: Tutorial: Servidor Web no Packet Tracer (Cliente-Servidor)

Lab 8: Tutorial Port Forwarding no Packet Tracer

Juliana Mascarenhas

Data Scientist and Master in Computer Modeling by LNCC.
Computer Engineer